Esther Wojcicki

Em sua visita ao Brasil, a convite da Nuvem Mestra, a professora norte americana Esther Wojcicki, conversou conosco sobre a metodologia inovadora que transformou suas aulas e deu origem ao livro Moonshots In Education.

Qual o principal impacto da metodologia Moonshot Learning no desenvolvimento do aluno?

Quando você dá independência aos alunos e colocam-nos no centro do aprendizado, eles ficam muito mais engajados com o que estão aprendendo. Os meus alunos de jornalismo criam os próprios veículos de mídia, revistas de diversos segmentos feitas inteiramente por eles, desde a coleta de imagens e conteúdo, até a captação de patrocínio para tornar o veículo viável de se produzir. Tudo isso porque eles são interessados por esse assunto.

Quais habilidades os professores precisam desenvolver para acompanhar os alunos dessa nova geração?

A principal habilidade que os professores precisam ter é a capacidade de mudar seu mindset. Eles precisam se portar como um guia, não podem ter medo de colaborar com os estudantes. Por que muitas vezes os estudantes sabem mais que os professores. Eles tem que trabalhar juntos, pelo mesmo objetivo. Os professores precisam de aulas dinâmicas e mais curtas, já que ninguém consegue prestar atenção por muito tempo. Devemos deixar as aulas mais curtas e leves, e dar aos alunos a oportunidade de controlar o seu aprendizado.

Como você enxerga a relação de dispositivos móveis particulares em sala de aula?

Os professores devem ensinar os estudantes a usarem os celulares de maneira inteligente. E também em momentos oportunos, ensinando-os a terem auto controle. Além disso, os professores podem ensinar como usar o celular a favor do aprendizado, por exemplo: como procurar na internet, como encontrar as informações corretas, como achar soluções para os seus problemas, como avaliar sites… Esse tipo de coisa que deve ser ensinada nas escolas. Mas claro, se você for sair para jantar, não olhe o celular, olhe para a pessoa que esteja com você, esteja presente com seu amigo e não com o celular.

Quando você acolheu os meninos do Google na sua casa, você já sabia que o Google seria o grande sucesso que é hoje?

Com certeza não. A minha história com o Google começou quando eles ainda não sabiam o que a empresa se tornaria. Mas Larry Page e Sergey Brin sempre foram apaixonados por compartilhar informação e fazê-la ser útil e acessível para todo o mundo, esse é o grande propósito deles. Os dois se preocupam muito com o mundo.

Como surgiu o Google For Education?

O Google sempre foi sobre educação e uma ferramenta importantíssima para o aprendizado. Mas percebemos que os professores precisam de ajuda para colocar em prática a tecnologia no dia a dia. Eles precisam de uma ajuda especial para conduzir suas aulas com auxílio da tecnologia, usufruindo de todos os benefícios que ela traz.

Você acredita que o YouTube pode ser usado como uma ferramenta de aprendizado?

Sim, as pessoas usam muito o YouTube para aprender, através de vídeos de todos os tipos. O Google comprou o YouTube pois percebeu que a plataforma democratiza a informação. Os meus estudantes usam o tempo todo. Há mais de 1 bilhão de visualizações em vídeos de educação todos os dias.

O que você acha do trabalho que a Nuvem Mestra está fazendo como partner premier do Google?

A Nuvem Mestra está fazendo um ótimo trabalho trazendo as ferramentas Google para as escolas, essa é a verdadeira chave para fazer a educação interessante, empolgante e útil para o século XXI. Treinando instituições inteiras para usarem a tecnologia a seu favor. Nenhum professor aprende como usar as ferramentas do Google em um seminário de um dia, você pode até tentar, mas é muito difícil. Você precisa do time inteiro trabalhando junto. O que a nuvem Mestra faz é trabalhar com todas as partes envolvidas nas  escolas, professores, coordenadores, alunos e até mesmo os pais. Todo mundo precisa estar envolvido, é uma mudança de sistema. Eu sempre acreditei que para mudar a escola era preciso mudar o sistema envolvido no aprendizado.

Se você pudesse dar um conselho para o aluno que está se formando, qual seria?

Você foi ensinado a temer o erro e a ter todas as respostas corretas, mas o fato é que é muito importante saber que é ok cometer erros e começar de novo. Você precisa mudar o seu mindset e as vezes dar apenas um passo para trás. E pensar que está tudo bem tentar algo, mesmo sem saber se vai dar certo. É muito importante correr riscos. E se você fracassar, que seja logo por que vai custar menos, mude de alternativa o mais rápido possível.

Como professora e mãe, você acredita que a maneira de educar dentro de casa foi passada também para suas salas de aula?

Bom, como mãe de três meninas, minha filosofia número 1 era “Se elas conseguem fazer algo por conta própria, elas devem fazer.” Eu nunca fiz nada que elas pudessem fazer sozinhas, como por exemplo ajudá-las a se vestir ou a se servir de cereais no café da manhã. E isso se torna algo natural, parte da vida. É como se elas fossem parte do meu time, e não como se eu tivesse que servi-las o tempo todo.

Na entrevista, Esther deixa claro sua felicidade de estar no Brasil, pela oportunidade de conhecer mais sobre a educação no país e também por conhecer pessoas muito acolhedoras. “O Brasil é um dos países mais bonitos em que já estive”.

Veja todos os vídeos da entrevista com a Esther em nosso canal do youtube.

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