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Acessibilidade em Aulas Remotas

As Tecnologias emergentes, principalmente as de Informação e Comunicação (que comumente chamamos de TIC’s) estão grávidas de potencial. Alguns são claros, como facilidade no acesso e rápida distribuição. Mas estas também têm o potencial de melhorar e muito a experiência para pessoas com deficiência e de contribuir para a criação de pontes entre elas e seus objetivos. O que agora chamamos de exclusão digital na verdade começou muito antes da introdução dos computadores. As barreiras para este público sempre existiram e permanecem. Mesmo sendo disponibilizadas em larga escala, sabemos que ainda existem barreiras de acessibilidade, incluindo econômicas, em muitos equipamentos como nos telefones, na televisão, na Internet e nas ferramentas disponíveis na web. Mesmo assim a tecnologia ainda é a ferramenta de trabalho mais acessível e suas barreiras de acesso caem com atualizações, que chegam dia-a-dia.

Neste período de isolamento físico e distanciamento geográfico as escolas fecharam suas portas por um grande período de tempo. Hoje algumas começam a reabrir com protocolos de saúde rigorosos e atenção aos sintomas. Alguns familiares optaram por não devolver os seus para o convívio escolar, enquanto o MEC homologou parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE) que autoriza que atividades remotas valham como carga horária. Neste universo plural estão todos os alunos, incluindo aqueles com deficiência, transtornos globais, altas habilidades e superdotação, que além de precisar de uma mediação mais incisiva,  ainda podem ser os mais prejudicados por este afastamento. 

Com minha experiência percebo como o processo de inclusão deste público se torna mais eficaz com o uso de recursos tecnológicos. Estes não são apenas ferramentas novas e técnicas que substituem as anteriores. Mas sendo devidamente aplicados tem a missão de ampliar o espectro de aprendizagem,  o interesse e engajamento discente e a estimulação por sua própria aprendizagem. Isso para alunos com ou sem deficiência.

As ferramentas tecnológicas e as suas possibilidades em sons, movimentos e imagens são muito mais ricos que as tecnologias impressas. Um exemplo claro se dá no letramento visual de um aluno com surdez no primeiro ano do ensino fundamental. Mostrar para ele a palavra /casa/ tem menos relevância do que mostrar a palavra com uma imagem, ou um emoji. Podemos usar ferramentas leitoras para ajudá-lo a ler a palavra e até outras que o ajudaram a escrever. Mas podemos ampliar essa aprendizagem mostrando nas ferramentas de busca da internet vários tipos de casa. Melhor ainda se, depois de mostrar exemplos de habitação, formos nas imagens via satélite e mostrarmos a casa do aluno, em sua rua, em uma imagem nítida, mostrando quão significante aquela “aparentemente” pequena informação é. Hoje, para fazer uma prancha de comunicação e incentivar este letramento visual basta uma conexão na internet e um Google Documentos, uma ferramenta simples de edição de texto, mas igualmente grávida de muitas possibilidades acessíveis. Ou o PICTO4ME, Uma extensão do Google muito interessante.

Já utilizei as ferramentas tecnológicas para ensino de conceitos de geografia para alunos com surdez. O objetivo principal eram os conceitos como rua, bairro, quarteirão, moradia, e espaço cartográfico para alunos com surdez menores de idade que precisam de visualização real para melhor assimilação e não podem ser retirados do espaço escolar (à época ainda estávamos com escolas abertas). Como o uso de ferramentas acessíveis e fáceis como o Google Earth e do Google Street View podemos mostrar a localidade em que o aluno mora, fazer um passeio virtual pelas ruas no presente e no passado e fomentar a aprendizagem dos conceitos planejados sem sair do lugar e mantendo o interesse do aluno. 

O uso das tecnologias acessíveis e assistivas neste período remoto fomenta a aprendizagem destes alunos, mesmo que possuindo perdas sensoriais, motoras ou intelectuais, e podem dirimir o prejuízo em sua escolarização. Adequar nossas aulas que mais pessoas possam ter acesso incentiva a todos os discentes  no aprender a aprender. A tecnologia é oportunidade também de mediação e vínculos desta aprendizagem. Daí a importância de se ter mais inovação disponível e mais técnicas para auxiliar a relação professor-aluno e proporcionar a acessibilidade destes ao conhecimento.

É importante lembrar que as pessoas com deficiência têm muitas necessidades de acessibilidade diferentes e que existem maneiras diferentes de tornar a tecnologia acessível. Lembro também que novas necessidades de acessibilidade surgem à medida que pessoas diferentes nascem e a tecnologia muda.

Então como ficar atualizado com as mudanças? Como entender as adaptações e adequações? Como diferenciar uma tecnologia acessível de uma assistiva? Como me preparar melhor para este tempo de inclusão e acessibilidades em aulas remotas. A Nuvem Mestra tem em seu acervo muitas ideias para deixar a sua aula mais acessível.

E ainda no dia 14 de outubro, às 14h faremos uma live aberta a todos no Youtube para conversar sobre “Acessibilidade em aulas remotas – o que você precisa saber”. Mais uma rica oportunidade de (in)formação pessoal.

Para se inscrever, acesse a página e cadastre-se: https://conteudo.mestra.org/live-acessibilidade-aulas-remotas

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